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Erasmo Alves Teófilo

DDH

A gente tem a ambição de viver

Erasmo Alves Teófilo é um defensor de direitos humanos e agricultor. Ele atua há mais dez anos em defesa dos direitos de famílias agricultoras e pescadoras na região da Volta Grande do Xingu, em Anapu, Pará, na região Amazônica. O defensor, que é pessoa com deficiência física, é presidente de uma associação de 350 famílias, e atua juntamente a Sindicatos locais.

Como resultado de seu trabalho em defesa dos direitos humanos, Erasmo e sua família vem sofrendo crescentes ameaças

por parte de um fazendeiro que se diz dono de terras no local e de pistoleiros contratados para atacá-lo. Em 2019, ele sofreu uma tentativa de assassinato onde vivia com sua família. Por conta desse incidente, Erasmo teve que se ausentar de sua casa. Em algumas ocasiões, ele teve seu acesso à energia elétrica cortado, para que fosse impedido de pedir ajuda.

70% do município de Anapu é formado por ocupações de agricultura familiar. As famílias estabeleceram sistemas de assentamentos sustentáveis em áreas públicas destinadas à reforma agrária, denominados Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), organizados em assembleias de agricultores com atividades extrativistas e de coleta sustentável, com foco na preservação ambiental.

A região vem há anos sendo visada por grileiros que buscam se apropriar das terras para criar pastos. A influência política dessas pessoas contribui para a impunidade diante dos índices de violência. Foi nesse município que a missionária Dorothy Stang foi assassinada. Em 2019, o Padre Amaro Lopes foi criminalizado e o defensor Márcio Rodrigues dos Reis foi assassinado.

Em meio à pandemia do COVID-19, Erasmo Alves Teófilo relata sentir-se abandonado pelas instituições de proteção, que deixaram de atuar nas localidades, deixando com que grileiros e fazendeiros intensifiquem o desmatamento da floresta, impondo sua vontade sem restrições.

Nas palavras de Erasmo Alves Teófilo durante uma entrevista, “Queremos uma forma de nos manter aqui sem nos preocupar, sem precisar desmatar. Temos uma qualidade excelente de ar e de vida, e não queremos perder isso. Temos que preservar a Amazônia, pois as comunidades ribeirinhas já estão morrendo de fome como resultado da exploração”.

Brazil

Os desafios e ameaças enfrentados pelos/as defensores e defensoras de direitos humanos no Brasil continuam muito elevados, particularmente para aqueles/as que trabalham em questões sobre a terra, o meio ambiente, os povos indígenas, os direitos LGBTI, a corrupção e a impunidade. Muitos/as defensores/as têm sofrido ameaças de morte, ataques físicos, prisões arbitrárias e processos judiciais. O elevado número de mortes é particularmente preocupante, e tais assassinatos ocorrem em um contexto de impunidade generalizada.